quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Memórias (I)

Outubro de 2006. Rússia. Klín. Casa Museu Tchaikovsky.
Ouço a «musica calada» que nunca escreveu.
Aqui, aqui nos jardins da casa onde Tchaikovsky viveu e conviveu, amou e deprimiu. E leu, leu muito. E ouviu.
Eu, eu ouço a Patética e o Concerto nº 1 para piano. Ouço o Lago dos Cisnes e o Quebra Nozes.
(Na sala Tchaikovsky ouve-se o mundo)
E uma vez mais a Rússia, a Rússia da (minha) memória: bucólica, envolta num silêncio imenso, ainda mas até quando?

O Cisne Negro - um «grande» livro


«O que surpreende não é a grandeza dos nossos erros de cálculo, mas a falta de consciência que temos deles.»

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Noticiário da União...


- Na Alemanhã, a senhora Merkel deu a cada cidadão um cheque de € 500 para incentivar o consumo no Natal;


- Em França, Nicolas Sarkozy financia € 1000 na compra de um automóvel novo;






domingo, 7 de dezembro de 2008

Da retórica dos senhores da crise



©Juan- Munoz

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Há coisas…que até chocam o diabo!!!

Sabem que a Europa Viva organiza, promove e dinamiza anualmente, um curso designado Europa e Religiões.
Como todos os projectos da Europa Viva, o curso não é anunciado com pompa e circunstância, mas como todos os projectos da Europa Viva, o curso procura satisfazer padrões culturais elevados, procurando, para tanto, formadores de altíssimo nível pedagógico, científico e cultural.
O curso tem a duração de seis meses, cinco dos quais são dedicados às grandes espiritualidades, hinduísmo, islamismo, budismo, cristianismo e judaísmo e um mês a grandes lições sobre matérias que digam respeito á cultura europeia na sua relação com o fenómeno religioso.
O curso envolve uma logística complicadíssima: calendários de coordenação, encontro de parceiro credível que suporte cientificamente a iniciativa, gestão de um calendário semestral, escolha e contactos com formadores, preparação de documentação, a venda do projecto junto da sociedade civil, mas o curso envolve ainda 15 formadores de grau académico muitíssimo relevante, muitos destes homens e mulheres com um tempo ocupadíssimo em conferencias e cursos em Universidades espalhadas pelo mundo, bem como uma gestão de actividades paralelas ao curso corporizadas em visitas culturais fora de Lisboa.
Como se isto não bastasse, a Europa Viva ainda oferecesse um infindável numero de horas de serviço voluntário, não apenas dos dois elementos que têm a responsabilidade da criação, gestão e manutenção do Curso, mas de muitos outros associados que ajudam a organização a pôr de pé esta iniciativa.
Este curso custa aos associados da Europa Viva - € 350 e aos não associados €520.
Pois acreditam que ainda há quem pense (e não são poucos os que pensam) que este Curso devia ser gratuito?
Como cidadã preocupada com o futuro do movimento associativo, gostava de saber que entidade patronal beneficia gratuitamente do trabalho voluntário destes críticos e onde prestam trabalho social voluntário, estas pessoas, para quem o trabalho intelectual e associativo deve ser uma constante e perpétua doação…
Bolas!!! Que anacronismo!!!



O calendário (mortal) da greve dos professores

O calendário da greve dos professores para o mês de Dezembro é mortal para a «causa» dos professores.
Se o tempo ajudar, os estragos provocados por este calendário de greve na decisão dos pais eleitores, será menor, mas se as condições climatéricas persistirem nesta cor cinza, podem estar certos os professores, que o governo saberá tirar o máximo partido do incómodo que estas greves provocarão na logística diária da generalidade dos pais.
(a generalidade dos pais dos alunos do ensino público votarão seguramente no PS)
Resta acrescentar que os pais já começam a sentir no interior da família, o aproveitamento dos alunos (seus filhos) relativamente ao paradigma instável que a exposição social e políticas dos professores acarreta. Em casa, o tema são os «filhos da mãe dos professores» e não «a justa luta dos professores». Mesmo nos cafés, basta lançar o isco, e ouvirão das outras corporações (juristas, juízes, economistas, gestores, e mesmo os médicos) palavras muito desagradáveis acerca deste (não) diálogo herculiano entre o poder, a corporação e os seus representantes.
Não esqueçamos que esta geração, passa mais tempo na companhia da segurança emocional e afectiva dos seus professores, do que na dos seus próprios pais.
Por isso, nesta dinâmica social e de comunicação, onde a imensa rapidez do instante torna volátil, mesmo as mais profundas estratégias sindicais, pode muito bem, o feitiço virar-se contra o feiticeiro.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

A arrogância dos decisores intermédios em Portugal

Como Presidente da Europa Viva estabeleço diáriamente contactos com todo o tipo de organizações, personalidades, instituições.
Ainda como jornalista, sempre me habituei a entrevistar grandes especialistas mundiais, por e-mail, sem que algum de nós se conhecesse pessoalmente e sem que o tempo desde o primeiro contacto excedesse mais de 48 horas até que uma resposta chegasse. Mesmo que fosse para dizer não há entrevista.
Em Portugal, sem um prévio telefonema intervencionado de alguém da relação de uma ou da outra parte nunca se responde a um e-mail, mesmo que esse e-mail esteja devidamente tipificado e o seu conteúdo claramemente esclarecido.
Em Portugal, os decisores intermédios funcionam ainda na pré história da comunicação. Raramente respondem a um e-mail, mesmo que o assunto lhes interesse, e menos ainda agradecem terem sido contactados neste universo organizacional tão competitivo, quando ao assunto, nada podem dizer.
E isso diz muito não apenas da forma como exercem os seus cargos mas, também, como gerem o seu espaço de cidadania e de responsabilidade social.
De facto não há uma escola de cidadania em Portugal. Não há respeito por quem lidera organizações sociais. Não há respeito por quem serve causas sociais. Não há respeito por instituições socias. Não há respeito pelo empreendorismo. Não há respeito por nada que fuja do imobilismo social e do vampirismo empresarial.
As chefias intermédias em Portugal lembram-me os porteiros das discotecas famosas em Lisboa e no Porto. Acham que têm tanto poder que depois, são eles mesmos, a espelhar o barro de que é feita a sua função e a miséria da sua representação.
Esta semana, dirige várias dezenas de e-mails a várias organizações nacionais e internacionais. Das organizações internacionais recebi sempre uma resposta. Mesmo de gabinetes de Presidentes de Organizações Internacionais, como a UNESCO, ONU, ou a Comissão Europeia.
Das organizações nacionais (nomeadamente de organizações profissionais como os centos de formação de professores) nem uma resposta.
Há que repensar o mito da crise...